É por que alguém me escuta
e quer descobrir o enigma dos mal-estares de meu corpo
que esses mal-estares adquirem um sentido em minha história;
assim, um dia talvez possam desaparecer.
J. -D. Nasio
Durante a leitura sobre a história da histeria é possível perceber que, o que chamou a atenção de todos aqueles que buscaram entendê-la, foram os sintomas por ela produzidos. As paralisias, cegueiras, convulsões e tantas outras manifestações físicas sem causas orgânicas, suscitaram o interesse pela histeria. No sintoma reside o sentido do que o inconsciente quer comunicar. Ele deflagra uma necessidade; contudo, ele é um enigma a ser decifrado, que nunca se consegue explicar prontamente.
Perante o sintoma somos todos como “Édipo” buscando solucionar o enigma da esfinge: “Decifra-me ou devoro-te!”. Édipo conseguiu solucionar o enigma da esfinge e com isso, sem saber, desposou sua mãe e, mais tarde, descobriu que havia matado seu pai. Não agüentando suportar o fardo que o destino lhe impôs, feriu seus próprios olhos e ficou cego. Podemos dizer que ele inconscientemente realizou seus desejos e não suportando essa realidade quis não enxergá-la? (Édipo Rei é uma peça de teatro grega, mais precisamente uma tragédia, escrita por Sófocles por volta de 427 a.C. - J. B. de Mello e Souza Versão para eBooksBrasil.com, disponível em: http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/edipo.htm)
A importância do sintoma reside nessa característica, ele é uma via de comunicação do psíquico no corpo, entretanto, ele surge para defender os histéricos do desejo recalcado que insiste em se satisfazer, mas a culpa não permite.
A respeito desse mecanismo, Freud explica que a formação dos sintomas neuróticos é tal como a dos sonhos, assim sendo, o sintoma é uma dissimulação da satisfação de um desejo, uma representação com uma “máscara” de satisfação. Sobre isso Freud se refere ao sintoma como uma “formação substitutiva”: “Um sintoma é um sinal e um substituto de uma satisfação instintual que permaneceu em estado jacente; é uma consequência do processo de repressão”.(FREUD, 1926, p.09). O sintoma ocasiona um prazer alternativo e, ao mesmo tempo fica no lugar, simbolicamente, daquilo que podemos chamar de “satisfação real”.
Escutar o inconsciente sempre é o melhor caminho para entender os sintomas ou os sintomas são o melhor caminho pra entender o inconsciente? Que desejo recalcado é esse que insiste em se fazer presente através dos sintomas?
Freud, em sua obra, desenvolveu a teoria do recalcamento em três momentos, a saber: “recalque originário”, “recalque propriamente” dito e o “retorno do recalcado”. O recalque originário é o primeiro momento do recalcamento e tem como resultado a criação de representações inconscientes que sofrem a ação da instância superior e atração por parte dos conteúdos do inconsciente. O “recalque propriamente dito”, é aquele que procura manter afastado da consciência as representações ligadas à pulsão. O “retorno do recalcado” é o momento em que os elementos recalcados conseguem, de uma forma desfigurada, aparecer na consciência através da “formação de compromissos". LAPLANCHE e PONTALIS, 1970, p. 552,558 e 601
O que seria a chamada “formação de compromisso”, para Freud? Trata-se da maneira pela qual o material recalcado tenta ser aceito de forma consciente. Ele retornará no sonho, nos atos falhos e no sintoma. Na verdade ele retornará em qualquer produção inconsciente, contudo, de uma forma irreconhecível. (LAPLANCHE e PONTALIS, 1970, p. 257)
Assim sendo, o sintoma é um produto do recalque, uma satisfação de desejo, uma forma substitutiva de satisfação do desejo sexual infantil recalcado. Ele é uma pista para que possamos entender o que o inconsciente quer comunicar. Ele é uma carta cifrada que esconde o desejo que queremos encobrir, o sofrimento é produzido como uma defesa do ego. No caso do histérico a culpa decorrente da lembrança encoberta que insiste em escapar do recalque dói muito mais que a dor do sofrimento sintomático.
Paradoxal esse ser histérico reclama de seu sintoma, busca ajuda e alívio para sua dor e ao mesmo tempo utiliza essa dor como defesa. Como se sente um histérico sem seu sintoma defensivo? Curado ou desprotegido?
Assim sendo, a psicanálise busca o sentido do sintoma para descortinar o sujeito que reside no inconsciente. Apesar de o sintoma ser de ordem simbólica ele é real. O sintoma histérico não difere de uma patologia orgânica: mesmo não tendo uma causa orgânica ele produz uma doença real.
Não se pode generalizar o sintoma, assim sendo, o trabalho da psicanálise é pesquisar o singular de cada sujeito que aparece na clínica buscando alívio para seu sintoma.
Sempre que a análise se aproxima de decifrar um sintoma, a perseverança do analista é posta em prova. Um bom analista não desiste perante as resistências dos analisandos, pois a resistência nada mais é do que o sinal de que o caminho está correto, a resistência aponta para o recalque, o recalque exige trabalho, e o trabalho requer escuta.
O que para os analistas pode ser um avanço, para o analisando pode ser a eminência de perder as defesas contra uma ameaça assustadora.
Referências:
1 - NASIO, Juan – David, A histeria: Teoria e clínica psicanalítica. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. 1991.
2 - LAPLANCHE E PONTALIS, J.- B. Vocabulário de Psicanálise.Santos: Livraria Martins Fontes. 1970.



Marly passei para conhecer seu blog ele é not°10, show, espetacular desejo muito sucesso em sua caminhada e objetivo no seu Hiper blog e que DEUS ilumine seus caminhos e da sua família
ResponderExcluirUm grande abraço e tudo de bom
Ass:Rodrigo Rocha
Olá Marly,
ResponderExcluirSou psicanalista e escritor. Também me interesso por arte e cultura. Dou aula de psicanálise e arte numa faculdade em Niterói. Para você, qual é a relação que a arte e seu savoir-faire, tem com a escuta analítica?
Abraços,
Carlos Eduardo
Se puder, apareça em:
veredaspulsionais.blogspot.com
Marly passei para conhecer seu blog ele é not°10, show, espetacular desejo muito sucesso em sua caminhada e objetivo no seu Hiper blog e que DEUS ilumine seus caminhos e da sua família
ResponderExcluirUm grande abraço e tudo de bom