skip to main |
skip to sidebar
Encontros e Desencontros
O que é real e o que é imaginário?
Será que é possível distingui-los?
Será que a realidade existe?
Será que a realidade é uma invenção humana?
Será que um dia vou cair da cama e acordar da minha vida?
Será que um dia vou sonhá-la?
A busca da verdade é uma angústia eterna. Não sabemos de onde viemos, por que estamos aqui, para onde vamos e quem somos.
Nesta vida, que é uma eterna interrogação, relacionar-se é uma eterna confusão. Expectativas, desejos, amor, ódio… Uma teia de emoções que fazem os encontros se transformarem em verdadeiros desencontros.
Se todo encontro é uma busca da verdade do outro, e se a verdade é inalcançável, como posso conhecê-lo? Como posso ter certeza que esse outro não é uma criação minha? E que, o que percebo nele, não esta contaminado com a minha própria subjetividade e minha história pregressa?
A saída seria então questioná-lo. Doce ilusão… Seria muito simplório em se tratando de um ser tão complexo. A resposta seria um emaranhado de censuras, defesas, negações e projeções. E a verdade? Encarcerada nas sombras do seu inconsciente…
Se já não bastasse a angústia do eu na tentativa de aproximar-se da sua própria verdade e durante este processo, paradoxalmente, afastar-se da mesma, ainda nos angustiamos por querer encontrar a verdade do outro.
Imaginemos um encontro… Duas pessoas que não possuem autoconhecimento e que temem conhecer a si mesmas querendo conhecer um ao outro. Duas pessoas que acham que são o que não são, que querem ser o que seus pais desejam que elas sejam e que, só vêem no outro elas mesmas, como se o outro fosse o pano de fundo para todas as suas projeções, um espelho… Uffa!!! Complicado!!!
Seria o mesmo que um gato que pensa que é um rato e sonha em ser um tigre, se apaixona por uma gata que pensa que é uma tigresa, mas na verdade queria ser uma ratinha. Meio por aí…
Podemos pensar que os encontros são desencontros e a angústia, interminável… E é essa angústia que faz dos desencontros, opss!! Ato falho! Digo, dos encontros algo tão fantástico, tão desejado e tão misterioso.
É esta angústia que nos faz levantar todos os dias, que nos faz querer ser alguém, ou deixar de ser esse alguém. Querer pensar, refletir, não pensar, deprimir, repetir, repetir, repetir…Realizar coisas e destruir outras… Mover-se.
Esta angústia me fez escrever… Essa angústia dá dor de barriga, de cabeça, coluna, enfim, ela dói no corpo e na alma… Ela nos faz inventar rituais, sentir culpa, faz o medo brotar do absurdo, faz o surto ser a melhor saída…
Angustiado??? É… Não tem jeito… Isso é contagioso! Se você sofre desse mal, tranquilize-se…Isto significa que você não é um E.T., e sim, um ser humano! Se estiver muito angustiado com seus encontros e desencontros, seja consigo ou com o outro, não escreva, pelo menos, não somente! Também não transforme a sua angústia em dor para postergá-la ou distraí-la. Encare-a ou passe no meu consultório! Brincadeirinha!!! Só não deixe passar a oportunidade de se escutar, de se entender, de se encontrar, pois só assim nossa angústia diminui e os encontros passam a ser menos desencontrados.
Marly Morais
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Deixe seu comentário aqui